Segunda-Feira, 22 de Abril de 2019
1º SOLDADO TRANS É DE ITUVERAVA
Polícia Militar de São Paulo tem 1º policial transexual em quase 200 anos de história
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A Polícia Militar de São Paulo tem pela primeira vez, em quase dois séculos de história, um policial transexual. Emanoel Henrique Lunardi Ferreira, o soldado Henrique, que trabalha em Ituverava, após decisão inédita da corporação de reconhecê-lo como homem depois de ter entrado na PM como mulher.


O primeiro policial militar transexual do estado ingressou na corporação em 2015 como a soldado Emanoely. Em 2018, a PM atendeu ao seu pedido e o reconheceu como um policial do gênero masculino, como ele sempre quis.


Passou a ser chamado de soldado Henrique após um processo que durou quase um ano até ser autorizado pelo comando da Polícia Militar.


Apesar de ter nascido há 24 anos em um corpo de mulher, Henrique nunca se identificou com o gênero feminino, pois sempre se via como homem.


Por gostar de garotas, na adolescência assumiu ser homossexual. E, em 2016, já adulto, quando se formou na PM, procurou ajuda psicológica particular, pois não entendia por que seu corpo de mulher o incomodava tanto. Durante a terapia, acabou se descobrindo transexual.


Em 2017, o soldado passou então a exigir ser tratado pelo gênero masculino. Depois, pediu à Polícia Militar para mudar o nome. O psicólogo militar ouviu Henrique e concordou em alterar os registros. Mas isso levou quase um ano para acontecer.


“A Polícia Militar tem 188 anos, e este é o primeiro caso de transexual. Temos casos de homossexuais na PM, mas de transexual é o primeiro caso”, diz a capitã Cláudia Lança, chefe de comunicação social da PM em Franca. "A PM, com isso, deseja mostrar que está aberta, sim, a acolher e a receber pessoas com identidades de gêneros diferente, com opções sexuais diversas."



O soldado Henrique diz que teve receio antes de procurar a PM para pedir a alteração dos seus dados femininos para masculinos. "Eu tinha medo de levar a questão de dizer 'eu sou trans' e ser expulso por isso", lembra.


Até então, ele desconhecia que tinha direitos, mas buscou informações. Tanto que seu pedido à Polícia Militar se baseou em uma lei estadual que determina que transexuais e travestis sejam tratados em repartições públicas pelo nome social e reconhecidos pelo gênero com o qual se identificam.


Ainda em 2017, ele começou o tratamento hormonal à base de testosterona para se tornar visualmente homem. Enquanto a PM analisava o caso de Henrique, em 2018 ele se submeteu à cirurgia particular de mastectomia para retirada dos seios.


Naquele mesmo ano, ele foi ao cartório da região da cidade onde nasceu, em Iracema do Oeste, no Paraná, e alterou nome e gênero na certidão de nascimento.


Emanoely Lunardi Ferreira, sexo feminino, deixou de existir nos documentos. Deu lugar oficialmente a Emanoel Henrique Lunardi Ferreira, sexo masculino.


A alteração do registro civil para transexuais e travestis foi autorizada em 2018 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Não há necessidade de se passar por operação para redesignação sexual e realizar a mudança.

Fonte: G1




Fonte: Inside Vip





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