Quarta-Feira, 25 de Outubro de 2017
DUPLA CAMPEÃ
Guto Dulinski e Luccas Lima relatam as conquistas e dificuldades ao defender o vôlei de praia brasileiro
Image title
A dupla Guto Dulinski (38) e Luccas Lima (26), primeira paulista a ser Campeã Brasileira de Vôlei de Praia do Circuito BB, tem chamado atenção dos brasileiros pela garra, talento e dedicação.
Guto, de São Vicente, e Luccas, de São Joaquim da Barra, jogam juntos há quase 1 ano e começaram a trajetória já ganhando torneios importantes como o Paulista de Vôlei de Praia e, o já citado, Circuito Banco do Brasil, onde subiram duas vezes ao pódio, em Minas Gerais com a 3ª colocação, e em Santa Catarina com o 1º lugar.
Recentemente receberam a irrecusável proposta de disputar o primeiro torneio fora do Brasil, na Europa, com todas as despesas pagas, porém, com o inoportuno acidente durante um treino, Luccas fraturou o metacarpo e passou por uma cirurgia complexa, por conta da lesão os planos para o Torneio Europeu acabaram tendo modificações.

Guto precisou adaptar a oportunidade e jogar com outro parceiro, disputando o torneio italiano com André, que já mora no pais há 15 anos. A dupla se consagrou campeã da Etapa Giarre e ficou em 4º lugar na Etapa Stmoritz, onde nesta, André também fraturou o metacarpo forçando a dupla a entregar o pódio.

Luccas, apesar de ainda estar em recuperação, conseguiu jogar as duas etapas, também com outro parceiro, e conquistar o surpreendente 5º lugar em ambas. “As oportunidades correram para ambos os lados, mas de forma paralela” afirma Luccas.

A dupla enfrenta, assim como diversos atletas brasileiros, a dificuldade da falta de patrocínio, onde exige-se muito dos esportistas mas negam investimentos. Eles citam poucos campeonatos com prêmios em dinheiro, alguns chamados de “piratas”, ou seja, aqueles não homologados pelas confederações e federações que administram a modalidade.
Image title

“O que você ganha em um torneio, você já usou para competir, seria uma espécie de reembolso, pelo transporte, hospedagem e comida. No final das contas, não sobra nada e se você não ganha, você ainda fica com uma dívida” explica Guto.

Com a experiência que obtiveram jogando fora do Brasil, comentam o tamanho contraste que sentiram em relação ao tratamento dos atletas e organizações de jogos, afirmam que o Brasil está muito atrás na valorização de seus jogadores. “É realmente outro mundo, aqui ainda temos a política do atleta vagabundo que vai pra competir e fica na praia. Qualificados nós somos, mas mesmo assim, as coisas não acontecem” comenta Luccas.

Apesar das dificuldades os meninos garantem que a partir de outubro um projeto deverá entrar em funcionamento em São Joaquim da Barra, uma escolinha de Vôlei de Praia, convênio do CDT Luccas Lima, através do Instituto Life e da Prefeitura Municipal. O projeto visa usar o vôlei como ferramenta de modificação social, ensinar um esporte e, quem sabe, descobrir grandes talentos. Deverá atender crianças e jovens de 8 a 18 anos, e categoria adulta de 18 a 20, já voltada para os torneios regionais e estaduais.

“Nosso objetivo é a introdução nos bairros mais carentes da cidade, é usar o esporte como ferramenta transformadora. Viemos de projetos sociais e de uma classe mais baixa, sabemos que não é fácil mudar dessa situação, mas é possível” finaliza Guto.



Fonte: Inside Vip





Viena


VEJA TAMBÉM


 
Eletropar