PROTESTO NA FACULDADE DE DIREITO DE FRANCA CONTRA PROFESSOR QUE PEDIU PARA ALUNA SEM ROUPA ABRIR A CÂMERA

O Centro universitário instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do docente



Estudantes fizeram uma manifestação na porta da Faculdade de Direito de Franca, nesta quinta-feira (1º), para pedir a demissão do professor William Tristão. No início da semana, o docente foi denunciado pelo Diretório Acadêmico à direção do centro universitário por um suposto ato de assédio contra uma aluna.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Tristão pedindo para a estudante abrir a câmera depois que ela diz estar sem roupa. Os dois participavam de uma aula on-line. No diálogo, o professor repete o pedido em troca de meio ponto na disciplina. A jovem nega.

A faculdade instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta do professor. Também informou que não compactua com práticas de violência ou discriminação de qualquer natureza.

A universitária do curso de direito não registrou boletim de ocorrência. O Ministério Público (MP) deve enviar um ofício à Polícia Civil com pedido para instauração de inquérito.

Tristão alega que foi mal interpretado ao fazer uma brincadeira.
 


AULA ON-LINE

A aula aconteceu na noite de segunda-feira (28) de forma remota, já que as atividades presenciais estão suspensas na faculdade em virtude da pandemia de Covid-19.

O professor e advogado William Tristão disse que fazia perguntas aos alunos referentes à disciplina. Ganharia meio ponto quem respondesse e acertasse.

Ele relatou que insistiu algumas vezes para que a estudante abrisse a câmera e falasse pelo microfone, mas ela disse que não podia, pois estava sem roupa para tomar banho.

As imagens da aula, obtidas pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostram o diálogo. Leia:

·         Professor: Abre a câmera aí.

·         Aluna: Não dá.

·         Professor: Deve estar horrível.

·         Aluna: Não, não é isso não. É porque eu ia tomar banho e estou sem roupa (risos). Não dá para abrir.

·         Professor: Abre a câmera aí.

·         Aluna: Não, não vou abrir.

·         Professor: (risos). Ou, está de sacanagem comigo?

·         Aluna: Não. Estou falando sério.

·         Professor: Meio ponto.

·         Aluna: Obrigada.

·         Professor: Não, para você abrir a câmera.

·         Aluna: Eu estudo. O que é isso?

 

O QUE DIZ O PROFESSOR

Tristão disse que tem liberdade com a estudante e que os pais deles trabalharam juntos. Além disso, informou que tem intimidade para brincar pois ela não é uma pessoa desconhecida para ele.

“Nesse momento eu fiz uma brincadeira com ela. Falei assim: ‘nossa’. Porque eu vinha atribuindo meio ponto pra várias pessoas. Falei: ‘não, abre a câmera aí que ganha meio ponto’. Essa é a conversa”, afirmou.

O professor contou que após a aula e no dia seguinte conversou com a aluna. Ela relatou que foi procurada pelo diretório acadêmico e por outros colegas, mas falou para ele que não se sentiu ofendida e nem se sentiu assediada.

“Tecnicamente o direito protege a pessoa que é atingida. Então se a aluna não se sentir ofendida ou assediada, acabou. Não há que se falar em assédio. 'Ah, mas eu luto com os direitos das mulheres'. São outros quinhentos. Isso pode ser uma questão ético-moral, não jurídica. O direito não se confunde com a moral”, disse.

Fonte: G1


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