OS CUIDADOS PARA NÃO SER ARRASTADO POR UMA CABEÇA D'ÁGUA

Acidente na região alertou para os perigos em visitar rios e cachoeiras durante a temporada de chuvas



A morte de pelo menos três pessoas arrastadas pela água em uma cachoeira entre Capitólio e São José da Barra, no sul de Minas Gerais, alertou a região sobre os perigos das cabeças d'água.

Além das vítimas fatais, outras 16 foram socorridas pelos bombeiros, algumas com fraturas e ferimentos graves.

Durante o verão, com as férias, é preciso ficar atento aos perigos de visitar rios e cachoeiras durante a temporada de chuvas. Há formas de minimizar os riscos — como medir constantemente o nível das águas, evitar se banhar em vales com encostas íngremes e monitorar as nuvens nas cabeceiras dos rios.

As cabeças d'água costumam ocorrer quando chove na cabeceira (nascente) de um rio, ampliando rapidamente seu fluxo. O nível das águas pode subir vários metros em poucos segundos, como uma espécie de tsunami dos rios. As chances de ocorrência aumentam no período chuvoso, que em boa parte do país coincide com o verão.


CABEÇA D'ÁGUA OU TROMBA D'ÁGUA?

Em algumas regiões do Brasil, as cabeças d'águas são mais conhecidas como trombas d'água. O ICMBio, órgão federal que administra os parques nacionais, costuma usar a expressão tromba d'água em guias e folhetos destinados a turistas que visitam essas áreas.

Mas a expressão tromba d'água se refere na meteorologia a um fenômeno climático distinto, que consiste na formação de colunas de água que lembram tornados sobre mares ou lagos.

Muitas vezes, pessoas são surpreendidas pelas correntezas ao se banhar vários quilômetros abaixo das cabeceiras, sem que haja qualquer sinal de chuva no local onde estão.

Por isso é preciso ficar atento à presença de nuvens na parte alta dos rios.

Se o clima está fechado lá em cima, mesmo que embaixo faça sol, já há grandes possibilidades de chegar uma tromba d'água. Nesse cenário os banhistas devem sair do rio imediatamente. Às vezes, segundo o Corpo de Bombeiros, é possível ouvir o barulho causado pela tromba d'água instantes antes de sua chegada.

Deve-se evitar a prática de rapel ou outros esportes radicais em áreas sujeitas a cabeças d'água.

Em cabeças d'água, é comum que rochas e pedaços de árvores sejam arrastados rio abaixo, criando riscos adicionais aos banhistas.

 

SINAIS DE CABEÇA D'ÁGUA

A presença de folhas secas ou outros materiais flutuantes no rio é outro indício de que uma cabeça d'água possa estar a caminho, diz o biólogo Fernando Tatagiba, chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Segundo ele, normalmente é possível antever o fenômeno. Porém, como seus indícios são sutis e há pouco tempo para reagir, deve-se manter plena atenção durante a visita a esses locais.

Os lugares mais sujeitos a trombas d'água mortíferas são trechos do rio com encostas íngremes e afastados das nascentes, onde o nível da água tende a subir mais com o aumento da vazão.

Já locais próximos às cabeceiras tendem a ser menos perigosos.

Segundo o tenente Roberto Morais Ribeiro, do Corpo de Bombeiros de Passos (MG), alguns donos de cachoeiras privadas da região da Serra da Canastra instalaram placas para sinalizar os locais mais sujeitos a cabeça d'água e costumam alertar os banhistas quando há possibilidade de chuva nas cabeceiras.

Outros, porém, não adotam qualquer medida de precaução, segundo ele.

Fonte: G1 / BBC


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