CRIANÇAS ESPANCADAS - O QUE FAZER EM CASO DE SUSPEITA?

Casos e precauções que podem ser tomadas para evitar que o pior aconteça




Nos últimos dias acompanhamos pela imprensa a investigação do caso do menino Henry Medeiros Borel, 4 anos, no Rio de Janeiro. A causa da morte, relatada pela mãe Monique Medeiros e pelo padrasto, o vereador Dr. Jairinho, era uma queda da cama.

Porém, no laudo da reconstituição da morte do menino, peritos afirmam que as 23 lesões encontradas na criança, como laceração do fígado, danos nos rins e hemorragia na cabeça “são condizentes com aquelas produzidas mediante ação violenta – homicídio”.

 

Foram testadas todas as possibilidades durante reprodução simulada do dia do atentado, e foi constatado por peritos e especialistas, que seria impossível tais lesões serem por decorrência de uma queda, conforme alegaram os responsáveis pela criança.

 

O resultado da necrópsia demonstrou que a versão apresentada pelos pais era equivocada e mentirosa, portanto se trata de mais um caso de violência doméstica contra crianças no ambiente familiar, onde elas deveriam ser protegidas.


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Quem não se lembra da pequena Isabella Nardoni, que chocou o Brasil na noite de 29 de março de 2008? A menina de 6 anos de idade foi atirada do sexto andar do apartamento do pai, mas só se pôde afirmar o que de fato aconteceu após o árduo e longo trabalho de investigação e perícia, onde foi constatado que o cenário não se tratava de um acidente, mas sim de um homicídio cometido por ninguém menos que seu pai (Alexandre Nardoni) e sua madrasta (Ana Carolina Jatobá).

No Brasil a “Síndrome da Criança Espancada” acontece com considerável incidência. Dados de 2019 mostravam 233 agressões a crianças e adolescentes diariamente e de acordo com informações do site da UNICEF, na pandemia, o número de casos registrados já cresceu cerca de 30%. A pandemia criou um cenário propício para violência doméstica, afetando principalmente as crianças até 4 anos, que, isoladas em casa, não possuem mecanismos de defesa e nem como buscar ajuda externa.



Dr João Batista Vicente


O médico legista João Batista Vicente faz um alerta. “Todos os que trabalham com crianças e principalmente os médicos que atendem em pronto-socorro, podem ajudar a criança, porque esse mal existe com considerável incidência, e a partir da suspeita, a denúncia sempre deve ser feita aos órgãos responsáveis, sob pena de responsabilidade de omissão; os possíveis agressores devem ser investigados e, com a confirmação, punidos; a criança, liberta e protegida dos maus tratos, que poderiam trazer prejuízos físicos, psicológicos, morais e até mesmo a morte”, orienta.

 

Ele lembra ainda que uma criança vítima de espancamento e maus tratos pode carregar o trauma por toda a vida e tornar-se uma pessoa doente e violenta, quando adulta.

A esses casos é dado o nome de “Síndrome da Criança Espancada”, reconhecidos como aquela em que a criança é vítima de um deliberado trauma físico não acidental provocado por uma ou mais pessoas responsáveis por seus cuidados.

 

Mas como reconhecer se uma criança está sofrendo espancamento ou maus tratos? Ele orienta que, muitas vezes esses casos podem ser observados por babás e domésticas e fora de casa, por professores e médicos, devendo ser denunciados em quaisquer suspeitas de maus tratos.

 

“Ao ouvir qualquer queixa de uma criança é importante estar atento aos possíveis sinais de que ela está sendo maltratada, seja física ou psicologicamente, aliás o mal começa com as ameaças”, diz.

 

Caso a criança apresente hematomas, é indicado levá-la a um pronto socorro urgente. “A sua reação pode ser de extrema importância pra vida da criança, pois nunca se sabe se pode ocorrer uma hemorragia ou algum dano severo ao organismo. Não deixe de denunciar, a vida de uma criança pode estar em suas mãos”.



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