MINISTÉRIO DA SAÚDE LIBERA CLOROQUINA PARA TODOS OS PACIENTES COM COVID-19

O general Eduardo Pazuello autorizou a prescrição do medicamento para todas as fases da doença



Diante da recusa de dois ministros da Saúde, coube ao general Eduardo Pazuello, que assumiu a pasta de forma interina, liberar a cloroquina para todos os pacientes de covid-19. 

Diferentemente do protocolo de abril, quando a pasta recomendou o uso apenas em pacientes graves, nesse novo documento não há assinatura de nenhum médico na diretriz do protocolo, apenas uma bibliografia de referência de pesquisas científicas.

Na orientação de abril, o documento foi elaborado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia, e continha uma lista de médicos que auxiliaram na construção das diretrizes. Entre eles, estavam médicos do Hospital Sírio Libanês, Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, entre outros.

Neste novo documento, a pasta recomenda a prescrição do medicamento desde os primeiros sinais apresentados. Estabelece, ainda, quais as doses que devem ser indicadas aos pacientes com o novo coronavírus, desde o 1º até o 14º dia de sintomas da doença.

“Para os casos leves, o médico poderá prescrever a cloroquina ou hidroxicloroquina, combinados com a azitromicina, para pacientes que apresentarem os sintomas: perda do paladar e olfato, febre, coriza, diarreia, dor abdominal, tosse, fadiga, dores musculares e cefaleia. O tratamento medicamento só será utilizado caso esses sintomas ocorram nos cinco primeiros dias do início desses sinais” diz a nota publicada pelo Ministério da Saúde.

O protocolo inclui também que o paciente declare conhecer que o tratamento pode causar efeitos colaterais que podem levar à “disfunção grave de órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente, e até ao óbito.”

Em caso de indicação do tratamento para crianças, o protocolo afirma que o médico dê “prioridade ao uso de hidroxicloroquina pelo risco de toxicidade da cloroquina”. Orienta também que a prescrição deve ser usada com “precaução em portadores de doenças cardíacas, hepáticas ou renais, hematoporfiria e doenças mentais”.

“Apesar de serem medicações utilizadas em diversos protocolos e de possuírem atividade in vitro demonstrada contra o coronavírus, ainda não há meta-análises de ensaios clínicos multicêntricos, controlados, cegos e randomizados que comprovem o beneficio inequívoco dessas medicações para o tratamento da COVID-19. Assim, fica a critério do médico a prescrição, sendo necessária também a vontade declarada do paciente”, diz a Saúde no documento.


AQUISIÇÃO NO PAÍS

O Ministério da Saúde está intensificando a produção da cloroquina nos laboratórios brasileiros e fazendo contatos internacionais para trazer ao Brasil o princípio ativo da hidroxicloroquina, hoje em falta em todo o mundo. A cloroquina já era ofertada no SUS para pessoas com malária. Além disso, a pasta está trabalhando para que o estoque de azitromicina também possa ser garantido nos estados e nos municípios.

Neste ano, o Ministério da Saúde adquiriu 3 milhões de comprimidos de cloroquina 150 mg, produzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além disso, o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército (LQFEX) produziu 1 milhão de comprimidos e colocou à disposição da pasta. O Ministério da Saúde negocia com esses laboratórios novas aquisições do medicamento.

Até o momento, foram distribuídos 2,9 milhões de comprimidos de cloroquina em três envios distintos para os estados, com base no número de casos confirmados apresentados nos Boletins Epidemiológicos do Ministério da Saúde.

A hidroxicloroquina é adquirida pelos estados para a sobrevida e controle de pacientes portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico e Artrite Reumatoide. Atualmente no Brasil, existem quatro empresas com registros válidos junto à Agência de Vigilância Sanitário (Anvisa) desse medicamento: Apsen Farmacêutica, Sanofi Aventis, Medley Sanofi no Brasil, e EMS Indústria Farmacêutica. Essas empresas são responsáveis por abastecer o mercado público e privado no país.

Fonte: Ministério da Saúde / Exame 




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