PESQUISA ENCONTRA ANTICORPOS DEPOIS DE 7 MESES EM EX-PACIENTES COM COVID-19

Os estudos demonstram que o vírus possui um grau de imunidade mais duradouro



Um grupo de pesquisadores portugueses verificou que 90% dos indivíduos apresentam anticorpos detectáveis ​​de 40 dias a 7 meses após contraírem a infecção viral, o que atesta algum grau de imunidade mais duradoura.

A pesquisa, iniciada em março, deve continuar, já que esses são resultados preliminares e somente as análises dos próximos meses poderão trazer uma resposta mais definitiva sobre a duração da imunidade contra o coronavírus. Nesse ponto, é importante lembrar que a humanidade enfrenta a menos de um ano a COVID-19.

Liderada por Marc Veldhoen, pesquisador do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), a pesquisa completa foi publicada no European Journal of Immunology. Além da presença de anticorpos, os estudos que acompanharam quase 500 pacientes positivos mostram que a idade não é um fator determinante para a produção de anticorpos, apenas para a gravidade da COVID-19.
 


COVID-19 E OS ANTICORPOS

Feito a partir de exames sorológicos, o estudo português foi pensado ainda nos primeiros dias da epidemia no país, em março deste ano. Desde então a equipe de pesquisadores monitora os níveis de anticorpos de mais de 300 pacientes hospitalares e profissionais de saúde diagnosticados com COVID-19, 2,5 mil funcionários de uma universidade local — sem confirmação inicial da infecção por coronavírus — e 198 voluntários que já tinha se recuperado da doença.

"Nosso sistema imunológico reconhece o vírus SARS-CoV-2 como prejudicial e produz anticorpos em resposta a ele, o que ajuda a combater o vírus", afirma Veldhoen que, agora, quer entender por quanto tempo esses anticorpos continuam ativos e promovem a proteção do organismo.

"Os resultados deste estudo transversal de 6 meses mostram um padrão clássico com um rápido aumento dos níveis de anticorpos nas primeiras três semanas após os sintomas de COVID-19 e, como esperado, uma redução para níveis intermediários depois disso", explica Veldhoen. "Nesta fase inicial de resposta, os homens produzem, em média, mais anticorpos do que as mulheres, mas os níveis se equilibram durante a fase de resolução e são semelhantes entre os sexos nos meses após a infecção por SARS-CoV-2", acrescenta o pesquisador.

Na fase aguda da resposta imune, quando o paciente precisa de uma resposta imunológica melhor contra o agente infeccioso para garantir a sobrevivência, a equipe observou níveis mais elevados de anticorpos em indivíduos com doença mais grave, conforme o esperado.


ANTICORPOS CONTINUAM A PROTEGER

Outro objetivo do estudo foi entender a capacidade neutralizante desses anticorpos contra o coronavírus e, para isso, a equipe contou com a colaboração do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST). "Embora tenhamos observado uma redução nos níveis de anticorpos ao longo do tempo, os resultados dos nossos ensaios de neutralização mostraram uma robusta atividade de neutralização até o sétimo mês pós-infecção em uma grande proporção de indivíduos previamente testados como positivos", ressalta Veldhoen.

"Nosso trabalho fornece informações detalhadas para os ensaios usados, facilitando uma análise posterior e longitudinal da imunidade protetora ao SARS-CoV-2. É importante ressaltar que ele destaca um nível contínuo de anticorpos neutralizantes circulantes na maioria pessoas com SARS-CoV-2 confirmado. Os próximos meses serão críticos para avaliar a robustez da resposta imune à infecção por SARS-CoV-2 e encontrar pistas para algumas questões em aberto, como a duração dos anticorpos circulantes e o impacto de reinfecção", complementa o pesquisador português.

Fonte: CanalTech



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